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Sem base, sem caras novas

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Investimento na base, safra de jogadores e revelações locais são realidades cada vez mais distantes do cenário futebolístico amazonense. Na atual conjuntura do futebol profissional do Estado, por mais que os clubes procurem planejamento para fugir do imediatismo na formação de equipes e manter as categorias de base ativas durante todo o ano, acabam esbarrando na falta de organização do futebol amazonense, e conseqüentemente enfrentam o descrédito daqueles que poderiam financiar o esporte: os patrocinadores.

No Fast Clube, Princesa do Solimões, Manaus Compensão e São Raimundo, assim como na maioria dos clubes que disputarão o estadual de 2010, os jogadores que entrarão em campo serão os velhos conhecidos do futebol amazonense, fato explicado por dirigentes, técnicos e comissões técnicas pela falta de renovação e de categorias de base efetiva nos clubes.

Para o técnico do Fast Clube, Aderbal Lana, o futebol amazonense carece de estruturação básica dos clubes. “Hoje não existe categoria de base no Amazonas. Os clubes apenas formam times para disputar um campeonato infantil, juvenil e juniores que ninguém ouve falar. Estas competições não podem nem ser chamadas de campeonato, na verdade são torneios relâmpagos”, resumiu.

O presidente do Nacional, Luiz Mitoso, compartilha da concepção e responsabiliza a Federação Amazonense de Futebol (FAF) pelo descrédito e ausência de futebol de base efetivo no Amazonas. “Os clubes não se preocupam em estruturar uma base, pois não existem campeonatos para disputar”. Para concluir, Mitoso lembrou que é preciso um pensamento amplo sobre a organização do futebol local para renovar os “nomes” já conhecidos repetidos de hoje. “Uma federação pouco organizada gera um futebol desacreditado e sem ordem”, finalizou.

Segundo o técnico Aderbal Lana, o trabalho realizado na base atualmente não chega a ser classificado como razoável. “Muitos jogadores têm potencial, mas não tem cabeça. Eu observo isso nas preleções, quando eu falo na linguagem mais simples possível e os garotos não entendem como fazer dentro de campo, enquanto os mais experientes compreendem e executam durante a partida”.

A má formação dos jovens atletas aliada a deficiência financeira dos clubes acaba por conduzir os dirigentes de volta ao ciclo de procura pelas “figuras carimbadas” do futebol amazonense. “Como os clubes fazem contrato de apenas 4 meses, duração do campeonato amazonense, devido a situação financeira, não dá tempo de adaptar os mais jovens ao nível dos mais experientes. Este trabalho deveria ser feito na base, para que ele chegasse ao profissional já pronto. Como não acontece, os clubes acabam optando por aqueles mais experientes, diminuindo a possibilidade de renovação”, justificou o preparador físico do São Raimundo, Paulo Feitosa.

Seguindo esta linha de argumentação, Ney Júnior, 33, zagueiro do Fast Clube, diz que os treinadores os preferem em razão da experiência e liderança exercida pelos jogadores “rodados”.

“A comunicação é mais fácil, e como temos uma carreira mais longa, os dirigentes e treinadores nos escolhem pela confiança que transmitimos, e principalmente por já conhecer o nosso trabalho”, compartilha Ney Júnior, que deseja jogar profissionalmente por mais dois anos, tempo restante para a conclusão do curso de educação física.

“Desejo me formar e seguir carreira de preparador físico ou treinador de futebol”, concluiu o zagueiro.

Aderbal Lana também atenta para a formação acadêmica dos atletas. “Além de ter bom futebol é necessário que o jogador goste no mínimo de ler, pois as vezes eu passo uma orientação para um jogador e ele não obedece simplesmente por não conhecer uma palavra”, revelou o treinador, salientando que este trabalho deve ser iniciado na formação de base.

 

Por: Bruno Elander

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