Ex-rebelde propõe pacto
MONTEVIDÉU, Uruguai (AFP) - A coalizão de esquerda Frente Ampla (FA), que governa atualmente o Uruguai, ofereceu ontem, a quatro dias das eleições gerais, um pacto nacional para estimular políticas de Estado voltadas para a educação, a energia, o meio ambiente e a segurança pública.
A coalizão governista integrada pelo ex-guerrilheiro José “Pepe” Mujica e pelo ex-ministro da Economia Danilo Astori ofereceu os acordos em uma entrevista coletiva, destacando as coincidências entre os programas de governo dos adversários. Os dois concorrem ao cargo com o ex-presidente Luis Lacalle.
“Estamos tão longe quanto parece às vezes? Se olharmos os programas e lermos os discursos com ânimo construtivo vamos ver que há muitos pontos de vista compartilhados”, disse Mujica.
Ação conjunta
O objetivo é que “a ação do governo em alguns grandes temas nacionais seja decidida em conjunto, e tenha assim caráter de política de Estado”, explicou, ressaltando que “estes temas são a educação, preservação do meio ambiente, a política energética e a segurança pública”.
Mujica afirmou que faz a proposta “agora, antes que saiam os resultados de 25 de outubro, porque queremos demostrar que é uma proposta por completo independente do que acontecer no domingo”, mesmo se a FA obtiver maioria parlamentar.
O Partido Nacional (centro-direita), principal formação de oposição, cujo candidato é o ex-presidente Luis Lacalle (1990-1995), se declarou disposto a alcançar um pacto nacional, mas criticou a proposta da FA a poucos dias das eleições.
O candidato a vice-presidente do PN, Jorge Larrañaga, disse que a iniciativa é “muito pouco crível, muito feita para a tribuna, muito próxima à instância eleitoral”, mas destacou que o PN “está disposto a um pacto nacional”.
O primeiro presidente de esquerda do Uruguai, Tabaré Vázquez, tem mais de 60% de aprovação ao final de seu mandato, com um balanço favorável nas áreas econômica, social e militar, mas com uma política externa errática e um fracasso no campo da segurança.
O cientista político Adolfo Garcé afirmou à AFP que do ponto de vista da administração da economia, o governo usufruiu da boa conjuntura econômica internacional que durou até a crise global, e o Uruguai foi um dos poucos países do mundo a não sofrer recessão.
O analista Juan Carlos Doyenart considera que o governo de Vázquez, que entregará o poder no dia 1º de março ao vencedor das eleições de 25 de outubro - que pode ser decidida em segundo turno em 29 de novembro - teve “uma administração acertada da macroeconomia, o que permitiu aproveitar a conjuntura”.
Fonte: A Crítica



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