‘Administradores vão ter que ter criatividade’
O momento teve cenas típicas de bang-bang com tiros em pleno Paço Municipal. Além desse fato político, Manoel teve sua administração marcada por reforma de praças, criação do transporte alternativo “Maneco”, a instituição do ISS e o tão polêmico Edifício Garagem. O ex-prefeito afirmou que não foi feliz como político e que a falta de maturidade foi o principal motivo que o levou a ter uma carreira política meteórica.
Em entrevista a A CRÍTICA, “Manoel Pracinha”, como ficou conhecido à época, diz que saiu de Manaus porque a filha queria estudar no exterior. Evitou fazer comentários sobre a atual administração do prefeito Amazonino Mendes (PTB) e enalteceu a pujança política do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (PR), nomeado interventor na administração dele em junho de 1988.
Porque o senhor decidiu voltar a Manaus após 21 anos morando no Rio de Janeiro?
Eu saí daqui porque minha filha queria fazer Turismo Internacional. Voltei para Manaus agora por uma questão de família mesmo. Toda a minha família é daqui. Minha filha mora, agora, em Miami, o que facilita o nosso acesso, a partir de Manaus, até lá, pois a viagem é mais curta e a passagem, apenas U$ 600. Não posso negar também que o problema da segurança no Rio de Janeiro nos motivou a voltar porque somos apenas eu e Marília (esposa) e vivíamos muito isolados lá no Rio. Fiz muitos amigos lá, mas não é como a nossa terra, as nossas raízes.
E o que o senhor fez no Rio ao longo desse tempo?
Administrei o Centro de Cidadania da Prefeitura do Rio de Janeiro que fica bem em frente à favela da Rocinha. Lá atuei exclusivamente na área social, mas com a mudança no governo municipal me senti como uma carne que não pertencia aquele açougue e sendo amigo pessoal do ex-prefeito César Maia, apesar do Eduardo Paes (atual prefeito do Rio de Janeiro, do PSB) ter insistido para que eu ficasse, preferi sair, pois não pertencia a esse grupo político.
Quanto ao crescimento da cidade, como o avalia?
Manaus cresceu de forma desordenada até em função do próprio progresso, teve a questão da Zona Franca, polo de informática, polo de duas rodas, polo relojoeiro, enfim. A periferia aqui é impactante. É uma coisa surpreendente essas vias que interligam os bairros. O Prosamin, do Governo do Estado, por exemplo, é fantástico. Me preocupa, e aí estou falando como leigo que chegou anteontem, o saneamento dos igarapés e essa água está sendo empurrada para o rio Negro. Acredito até que na medida que eles estejam saneando e ocupando com habitações populares esses igarapés haja um pouco de desequilíbrio, mas enfim Manaus cresceu muito. Tenho pena dos administradores que vão ter que ter muita criatividade para contornar essas situações.
Como situa o empenho do Governo Federal em tornar transitável a BR-319?
Pessoalmente, não sou favorável a rodovias no Amazonas. Você passa seis meses transitando e seis meses consertando. Mas infelizmente o Brasil optou pelo transporte rodoviário que é o mais caro, mais complicado e demanda maior trabalho de manutenção. A natureza nos ofereceu o transporte fluvial e não adianta você lutar contra a natureza porque ela vai lhe vencer. Fiquei muito feliz com os investimentos do Governo com a ponte sobre o rio Negro. Isso é fantástico porque vai interligar Manaus com a principal região produtora e vai trazer um desenvolvimento enorme. São coisas assim que nos deixam feliz. Fico emocionado como amazonense, espero que o Amazonas seja a grande reserva natural do mundo e não se pode ficar só olhando para ela, tem que explorar de forma racional . É aí que temos que ter administradores honestos. Não pode haver mensalão, não pode, não pode.



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