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Mujica a um passo do poder

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image José Mujica (à esquerda) e Luis Lacalle (à direita) voltarão a se enfrentar nas urnas no próximo dia 29 de novembro

MONTEVIDÉU, Uruguai (AFP) - O ex-guerrilheiro José Mujica, candidato da coalizão de esquerda no poder, a Frente Ampla, ganhou o primeiro turno da eleição presidencial no Uruguai com 47,5% dos votos, mas terá de disputar um segundo turno contra o liberal Luis Lacalle (28,5%) no dia 29 de novembro, de segundo a Corte Eleitoral depois de apurados 100% dos votos.

De acordo com os dados oficiais, Mujica, da coalizão de esquerda Frente Ampla (no poder), obteve 47,49% dos votos, enquanto que o ex-presidente Lacalle (1990-1995), do opositor Partido Nacional (centro-direita), teve 28,53%.
 
O Partido Colorado, de Pedro Bordaberry, filho do ex-ditador Juan Bordaberry (1973-1976), ficou com 16,66%, e o Partido Independente, de Pablo Mieres, 2,43%. A participação foi de 89,86%.
 
Mais de 2,5 milhões de eleitores estavam registrados para votar no domingo para designar o sucessor de Tabaré Vázquez, o primeiro presidente de esquerda da história do Uruguai, que não podia se candidatar novamente.
 
Em sua primeira entrevista coletiva após a votação, Mujica disse que a sociedade “exige a realização de um segundo turno”.
 
“Estou muito feliz porque sou um homem de luta. Desde que estou na política, nunca ninguém nos deu nada de presente”, completou o ex-guerrilheiro.
 
Sobre a composição do Parlamento, os institutos de pesquisa anteciparam que a Frente Ampla pode ficar em minoria na Câmara Baixa. No Senado, haveria um resultado de igualdade com a oposição.
 
Lei mantida
 
Além disso, a Lei de Caducidade, que evitou processos por violações aos direitos humanos durante a ditadura militar no Uruguai (1973-1985), será mantida, segundo duas pesquisas de boca-de-urna realizadas pouco depois do referendo deste domingo.
 
Entre 47,7% e 48,3% dos eleitores votaram “sim” à proposta de reforma constitucional destinada a suprimir a Lei de Caducidade, que impediu durante muito tempo o julgamento de militares e policiais culpados de violações dos direitos humanos entre 1973 e 1985. Eram necessários pelo menos 50% dos votos para revogar a lei.
 
“Podemos afirmar com quase 100% de certeza que a Lei de Caducidade será mantida”, declarou Oscar Bottinelli, do instituto de pesquisas Factum, à rede de televisão Canal 4, afirmando que o “sim” obteve 47,7% dos votos.
 
Segundo Ignacio Suazbanar, do instituto de pesquisas Equipos Mori, 48,3% dos eleitores votaram “sim” à proposta de anular a Lei de Caducidade.

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